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PepsiCo estuda ingredientes tropicais, em busca de sabor


A PepsiCo, rival histórica da Coca-Cola, fatura mais com biscoitos, salgadinhos e bebidas lácteas do que com refrigerantes.

A virada deu-se há seis anos e se mantém, seguindo a estratégia de criar um portfólio de bebidas e alimentos com menos açúcar, sódio e gorduras. No Brasil, a pesquisa sobre esse tipo de produto está fazendo a multinacional estudar ingredientes tropicais como mandioca, açaí e castanhas. "O grande desafio é tornar as linhas de produtos mais saudáveis sem perder o sabor. Isso exige muita pesquisa", diz João Campos, presidente da divisão de alimentos da PepsiCo no Brasil, desde junho de 2015.

"O grande desafio é tornar as linhas de produtos mais saudáveis sem perder o sabor. Isso exige muita pesquisa", diz João Campos, presidente da divisão de alimentos da PepsiCo no Brasil, desde junho de 2015.

A demanda crescente por pesquisas levou a multinacional a inaugurar, em novembro do ano passado, seu primeiro centro de pesquisa e desenvolvimento da América do Sul. Fruto de um investimento de US$ 25 milhões, a unidade fica em Sorocaba (SP) e reúne 79 pesquisadores das áreas de nutrição e engenharia de alimentos. Nesse laboratório, onde a empresa cria e testa produtos com consumidores, já foi desenvolvido, por exemplo, um biscoito de tapioca, que nada mais é do que a fécula da mandioca. O centro, de 4,5 mil m2, foi construído ao lado da primeira fábrica multicategoria da PepsiCo no Brasil. Nessa unidade, são fabricados biscoitos, barras de cereais com aveia e bebidas lácteas, entre outros produtos. Campos diz que a instalação do laboratório permitirá à companhia acelerar o desenvolvimento de alimentos mais nutritivos no país. No ano passado, 50% da receita global da companhia veio de produtos com perfis mais nutritivos. Em 2006, a fatia era de 38%.

Tornar a companhia mais ágil, com a comunicação entre os funcinários fluindo de maneira mais fácil, é uma preocupação de Campos. Quando ele assumiu, a administração da companhia estava espalhada em três lugares diferentes na cidade de São Paulo.

Ele centralizou a gestão em um só prédio e aboliu as salas para executivos. Campos trabalha sentado em um "mesão", com nove vice-presidentes a seu lado. Desde janeiro deste ano, 1.000 funcionários estão alocados em 10 andares de um edifício localizado no Itaim Bibi, bairro da zona sul da cidade de São Paulo.

"Além de reduzir custos, a mudança trouxe mais agilidade à empresa", diz Campos. O modelo já havia sido adotado por ele na Unilever, onde atuou de 2004 e 2015. Trabalhou em Londres, na Itália e no Brasil e chegou a comandar a operação global de sorvetes da Unilever, dona da Kibon.

A área ocupada pela administração hoje é 30% menor que os escritórios anteriores. No novo prédio, os funcionários não têm mesas fixas e boa parte dos problemas passou a ser discutida em conversas diretas, em vez de trocas de e-mails e telefonemas.

Com a estrutura mais ágil, sobra mais tempo para diversificar o portfólio. Neste ano, a companhia coloca no mercado cinco produtos novos desenvolvidos no país entre 2017 e 2018, tendo como foco as marcas Quaker e Toddy.

A marca de aveia Quaker passou a competir na categoria de bebidas prontas, com uma vitamina que mistura aveia, frutas e leite. A ideia é reproduzir em uma garrafinha a vitamina que o consumidor faz em casa no liquidificador.

"A companhia pretende oferecer a aveia para consumo em diferentes ocasiões além do café da manhã em casa", diz Campos. A nova linha foi desenvolvida durante dois anos e vai ser vendida em sabores conhecidos do público: aveia com morango; e aveia com mamão, banana e maçã.

A companhia também colocou no mercado neste ano uma linha de achocolatado com aveia - uma mistura que ainda não existia nas gôndolas. Antes disso, a Pepsico havia lançado opções de aveia e farelo de aveia orgânicos e barrinhas de cereais à base de aveia e frutas.

A marca Toddy ganhou a versão Toddynho Levinho, com 50% menos gorduras e 35% menos açúcares. A PepsiCo também desenvolveu o Toddy Protein, uma bebida láctea pronta com 13 gramas de proteína por embalagem, e o Toddy Protein em pó, para consumo em casa.

"Em breve, outros produtos também serão lançados no mercado, com diferentes marcas, incluindo Toddy e Quaker", diz Campos. No Brasil, a PepsiCo opera com 35 marcas de alimentos e bebidas.

A multinacional tem feito mudanças no portfólio desde 2006, quando Indra Nooyi assumiu como CEO, com a estratégia de tornar os produtos mais saudáveis. A companhia reduziu, nesse período, a quantidade de sódio em todos os salgadinhos - a redução varia de 15% a 45%, dependendo da marca.

Indra será substituída em outubro pelo espanhol Ramón Laguarta. Analistas que acompanham a PepsiCo observaram, quando Laguarta foi anunciado como novo CEO há três semanas, que ele poderia fazer movimentos importantes: vender a área de envase de bebidas e até dividir a PepsiCo em duas empresas, uma de alimentos e outra de bebidas. Campos não espera nenhuma mudança e diz que a agenda continua sendo a mesma. No primeiro semestre fiscal de 2018, encerrado em 17 de junho, a receita líquida global cresceu 3%, para US$ 28,65 bilhões. Desse total, 47% vem da divisão de bebidas e 53%, de alimentos.

Segundo a Euromonitor International, a PepsiCo é a terceira maior fabricante de alimentos industrializados no Brasil, atrás de Nestlé e Mondelez, com 2,4% do mercado, em receita. Na categoria de lanches (salgadinhos e biscoitos, por exemplo), é a primeira, com 33,7%.

O portfólio de alimentos, que engloba biscoitos, salgadinhos, barrinhas de cereais, aveia e bebidas lácteas, é produzido pela PepsiCo em 15 fábricas. A estratégia na divisão de bebidas é diferente.

A produção de xaropes para refrigerantes é feita em uma fábrica em Manaus, administrada pela matriz da PepsiCo, nos Estados Unidos. A unidade fornece xarope para o Brasil e para outras operações da companhia no mundo. E a produção de refrigerantes e outras bebidas é feita pela Ambev.

Embora a área de alimentos fique com a maior parte do faturamento da PepsiCo, a divisão de bebidas continua sendo importante, gerando bilhões de dólares em vendas. No Brasil, ela é, desde janeiro deste ano, administrada pelo peruano Ricardo Maldonado. Ele responde pelas marcas de refrigerantes Pepsi e H2OH, de chá Lipton, da água de coco Kero Coco e do energético Gatorade, entre outras. O executivo está na companhia desde 2011, tendo comandado antes a operação de alimentos no México.

Fonte: Valor Econômico