01JUL

Indústria de massas e biscoitos do Brasil fatura 4,9% mais no 1° quadrimestre



O “efeito colateral” da quarentena contra o coronavírus foi maior consumo de alimentos em casa, destacou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI), Claudio Zanão.

“Acreditamos que onde se gasta mais com macarrão é dentro do lar, talvez pela aceitação, pela praticidade em prepará-lo ou pela diversidade que o produto pode trazer, em formatos e combinações de molhos para acompanhar”, disse ele, em comunicado.

Neste contexto, a associação aproveitou para repassar preços com o trigo, principal custo da indústria, que aumentou fortemente após máximas do dólar frente ao real neste ano, conforme Zanão havia antecipado à Reuters em abril.

Como o Brasil importa a maior parte de suas necessidades, esses custos sofrem influência do câmbio.

O faturamento de massas alimentícias aumentou 9,5% nos primeiros quatro meses do ano, para 2,6 bilhões de reais, enquanto as vendas em volumes subiram 3,9%, para 331 mil toneladas, com destaque para as instantâneas, com um crescimento de 12,2% nas vendas e 7,5% em volume (740 milhões de reais e 45 mil toneladas, respectivamente).

Por outro lado, para a diretora de atendimento da indústria de alimentos da Nielsen, Daniela Toledo, o setor deve se preparar, pois o Brasil está na chamada “fase cinco” da pandemia (vida restrita), caminhando para a próxima etapa, nomeada “nova normalidade”, o que pode interferir nos hábitos de consumo.

“Para o futuro, o cenário será de retração, por isso é importante se dedicar a revisão de metas, replanejamento do ano e repriorização de projetos, além disso, é essencial fortalecer os laços com o consumidor...”, acrescentou ela, em nota divulgada pela Abimapi, uma das maiores associações alimentícias do país, com 104 empresas —o setor responde por um terço do consumo nacional de farinha de trigo.

Já a categoria “biscoitos”, que responde pela maior parte do faturamento da indústria, indicou um aumento de 0,6% em receita no primeiro quadrimestre e uma retração de 1,3% em volume (4,7 bilhões de reais e 363 mil toneladas).

“Os dados mostram que a venda dos produtos cresceu no varejo moderno, principalmente no C&C (Cash and Carry), mas não compensa a retração do pequeno varejo”, disse a associação.

A categoria de pães industrializados registrou um aumento de 6,2% em faturamento e 7,1% em volume (1,8 bilhão de reais e 143 mil toneladas).

“Com crescimento ano a ano, o prazo de validade dos produtos acabou se tornando fator determinante, especialmente em meio a momentos ruins para a economia do país, como o que estamos passando agora frente à pandemia”, explicou Zanão.

Já “bolos industrializados” totalizaram um crescimento de 18,7% em faturamento e 14,3% em volume (340 milhões de reais e 12,2 mil toneladas), resultado impulsionado pelos canais de compra: super e hipermercados, estabelecimentos que se mantiveram abertos.

“A categoria ganha espaço no mercado devido à praticidade. Além disso, fatores como qualidade, preço e saudabilidade determinam as constantes novidades dos produtos”, comentou o presidente da associação.

Fonte: Reuters | Postado em: 01/07/2020