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Definição dos alimentos deve ter fundamentação científica



A mudança dos hábitos alimentares, na direção de dietas mais equilibradas, passou a ser também um tema muito relevante para a saúde pública, segurança alimentar, sustentabilidade ambiental, direito do consumidor, entre outras áreas. Atualmente, a grande quantidade de informações sobre uma dieta saudável, entre outros modismos propagados na mídia pelos formadores e influenciadores de opinião, expõe a sociedade a conteúdos distorcidos.

Quando o assunto são os alimentos industrializados o cenário não é diferente, basta buscar por “alimentos ultraprocessados” no Google, para ter uma ideia da falta de consenso sobre o significado do termo.

Se considerarmos o documento oficial do Ministério da Saúde, que aborda os princípios e recomendações de uma alimentação adequada e saudável servindo como um guia para a população brasileira, o ultraprocessado teria cinco ou mais ingredientes e por isso prejudicaria a saúde e deveria ser evitado em uma dieta saudável.

Pesquisas conceituadas já mostraram que existem alimentos que são classificados na 'categoria ultraprocessados' e que são feitos industrialmente de forma semelhante a preparações culinárias caseiras, além de não existir nenhuma evidência de que o valor nutricional e a saudabilidade de um alimento estejam relacionados a uma menor quantidade de ingredientes.

O uso dessa definição equivocada para afirmar que os alimentos industrializados são inadequados, condena, de forma genérica, centenas de produtos alimentícios existentes no mercado brasileiro que são lícitos, certificados e aprovados para consumo. É importante que associemos a industrialização dos alimentos como algo positivo, um processo que veio para melhorar o bem-estar das pessoas, trazendo mais conveniência e segurança para o dia-a-dia. Além de ressaltar que os determinantes da qualidade da dieta são os tipos e quantidades específicas de alimentos consumidos e não o seu nível de processamento.

A ciência e a tecnologia dentro da indústria vêm se desenvolvendo de forma ágil, com processos rigorosos de análises que comprovam a qualidade nutricional do alimento e garantia para o consumo, são bilhões em investimento por ano com ações transformadoras direcionadas para ampliação do valor nutricional dos produtos, sustentabilidade da produção, pesquisas, implementação de novas tecnologias, equipamentos e profissionais.

Visando uma sociedade saudável é necessário disponibilizar ao consumidor, para que exerça o seu direito de escolha, informações verdadeiras e confiáveis, elaboradas por pesquisadores que dominam os aspectos científicos e tecnológicos relacionados ao processamento de alimentos.

Para que isso aconteça de maneira correta e transparente, é essencial que as discussões relacionadas a alimentos, sejam realizadas de forma multidisciplinar, incluindo,
pesquisadores, médicos, nutricionistas, representantes das indústrias de alimentos e aditivos, engenheiros de alimentos, os responsáveis por políticas públicas,
cientistas e tecnólogos.

Disseminar estes valores e esclarecer à população quanto aos processos de fabricação de alimentos é a maneira mais eficiente e assertiva para certificar a importância
nutricional dos produtos, é um dos passos para a promoção da saúde e práticas alimentares saudáveis e sustentáveis no âmbito individual e coletivo.

Claudio Zanão
Formado em Engenharia Mecânica e pós-graduado em administração, marketing e finanças pela GV, com MBA

Fonte: ABIMAPI | Postado em: 01/11/2020