09DEZ

João Leite Praça, diretor e sócio da maior fabricante de biscoitos de polvilho do país, destaca os desafios de 2020



1. Levando em consideração que a Cassini é líder absoluta na produção de biscoito
de polvilho, quais os desafios que a pandemia trouxe e quais as oportunidades?

O maior desafio é manter resultados e a maior oportunidade foi a experimentação por novos clientes que neste momento demandaram muitos produtos prontos de fácil consumo ou de fácil preparo, não apenas biscoitos de polvilho, mas também massas, biscoitos, bolos e pães.

2. Para você o que é ter uma gestão visionária?

Depois de 2020 esta é uma pergunta de difícil resposta. Nenhum guru poderia imaginar o mundo nesta situação e nem prever o que está por vir. Não temos a menor noção do preço que pagaremos por esta pandemia quando ela passar.

Mas a boa gestão é aquela que está pronta para as dificuldades e de olho nas oportunidades, principalmente nas novas tendências e mudanças.

3. Como tratam a questão da sustentabilidade dentro da empresa? Quais as iniciativas feitas neste sentido?

Entre as ações desenvolvidas na empresa estão:
- Sistemática de destinação correta de resíduos com procedimentos para armazenamento, descartes, descaracterização e destino de tratamento por tipo de resíduo gerado para parceiros/empresas de reciclagem;
- Compra de matéria-prima à granel isentando o descarte de embalagens;
- Utilização de água de reuso para lavagem de pátios e jardim;
- Monitoramento da qualidade do esgoto gerado e direcionamento para tratamento em rede pública.

4. Como estão passando pelas dificuldades na obtenção de insumos e matérias primas para a produção dos produtos?

Não estamos isentos das dificuldades principalmente no segmento de embalagem flexível e papelão, mas além do estoque de segurança as programações de compras foram feitas com antecedência, minimizando impactos. O cenário de reajuste que estamos passando é muito crítico pois devido a escassez ficamos impedidos de negociar.

5. Quais os desafios para 2021? A empresa planeja crescimento? O que está fazendo para colocar esse planejamento em prática?

Esperamos grandes desafios para o próximo ano. Os milhões de desempregados não contarão com ajuda do governo e isso deve impactar muito no consumo, mesmo assim, estamos construindo uma nova planta que terá o dobro da capacidade atual. Apostamos no crescimento a partir de 2022.

6. Como enxergam as principais tendências de consumo de alimentos daqui cinco anos?

Precisamos estar atentos à nova dinâmica de consumo e necessidades. Hoje já temos um novo perfil de consumidor diante da realidade que vivemos e daqui há 5 anos os consumidores não olharão somente para a qualidade do produto, mas para a empresa como um todo, buscando alimentos de fácil / rápido consumo, saudáveis, seguros, de empresas éticas e que tenham um olhar empático e mais humano, bem como adaptada à nova realidade digital.
Esta é a resposta para esta questão de meu filho de 20 anos.

Geração Z:

Precisamos acompanhar a tendência de produtos saudáveis que os consumidores de uma geração diferente veem exigindo. A geração atual exige sabor e saúde no mesmo pacote, principalmente quando se trata de lanches para levar à escola ou para comer fora da mesa, quando se atinge estes dois patamares de forma satisfatória ao cliente o produto se torna um sucesso.

Fonte: ABIMAPI | Postado em: 09/12/2020