18JAN

Desaceleração do varejo foi puxada por supermercados, diz Tendências



 

Após seis meses de crescimento, a desaceleração das vendas do varejo já era esperada, mas veio mais forte do que o previsto, sobretudo pelo impacto do segmento de supermercados, afirma Isabela Tavares, da Tendências Consultoria.

“A principal surpresa foi a parte de supermercados, que mostrou a primeira queda anual desde janeiro de 2020. O resultado é reflexo das pressões inflacionárias, que reduzem a quantidade de vendas”, afirma ela.

A Tendências previa alta de 0,7% do varejo restrito de outubro a novembro, com ajuste sazonal, mas o IBGE informou hoje que o setor caiu 0,1% no intervalo. Já o varejo ampliado, que inclui automóveis e materiais de construção, subiu 0,6% na mesma análise, ante uma projeção de +1,2% da Tendências.

À frente, a consultoria projeta que o varejo passe a se comportar em um patamar mais próximo ao de janeiro e fevereiro, antes do choque da crise da covid-19.

 

Isso porque o desempenho do comércio está ligado ao comportamento mais cauteloso do consumidor nos últimos meses de 2020 e às incertezas para este ano. “Houve a redução desde setembro do auxílio emergencial, queda da confiança do consumidor e a maior preocupação com a situação do mercado de trabalho tanto no fim do ano passado como em 2021”, explica Isabela.

Apesar de os supermercados representarem o maior peso dentro do varejo restrito, outros produtos também sentiram o apetite menor das famílias. “Olhando para outros segmentos, também vemos menor ritmo de crescimento nas taxas anuais, principalmente móveis e eletrodomésticos, que foram os que mais se destacaram ao longo do segundo semestre”, diz.

Este conteúdo foi publicado originalmente no Valor PRO.

Fonte: Valor Investe | Postado em: 18/01/2021