07JUN

A intuição está entre os pontos essenciais do processo de tomada de decisão?



Para que uma ação seja tomada da forma mais assertiva, ela precisa passar por um processo de tomada de decisão. E, dentro de uma organização, fazer a escolha certa é essencial para a gestão do negócio.

Contudo, esse processo é contínuo e acontece diariamente, pois os líderes precisam estudar cada nova decisão, que consiste em analisar riscos e visa a solução de problemas.

Tomar decisões envolve a identificação do problema, bem como definir os critérios, analisar, escolher alternativas e verificar a eficácia da decisão.

Mas a questão é que existem formas de tomar decisões mais assertivas, focadas em planejamentos, uso de dados e situações concretas. Entender essa questão e colocá-la em prática no dia a dia é o desafio.
Pontos de atenção

Em situações mais complexas, tomar um veredito exige tempo, discernimento e análise.

Mas, independentemente do grau de dificuldade, cinco pontos devem ser observados na tomada de decisão em uma empresa, coloca José Roberto Marques, fundador do IBC, no portal do Instituto. Confira:

    Tenha clareza a respeito do que você precisa decidir. Quando não conhecemos algo, a decisão se torna mais difícil e arriscada.
    Analise o contexto da situação, as circunstâncias e as opções, além de mensurar as consequências dessa decisão, negativas ou positivas, que talvez você tenha que lidar posteriormente.
    Em um primeiro momento, avalie criteriosamente todas as opções, e não aquela que lhe parecer mais aceitável.
    É interessante listar todos os prós e contras das opções, dessa forma é mais fácil enxergar o contexto como um todo.
    Respeite o tempo e não faça nada de forma precipitada. É importante refletir sobre aquilo que você deseja, os sentimentos com os quais você pode se deparar durante o processo e tudo o que pode acontecer depois da decisão tomada. Analise os dados e peça ajuda da sua equipe ou de especialistas para tomar a decisão mais vantajosa para o negócio.

O uso de dados no processo de tomada de decisão

No mundo corporativo, é muito comum que as decisões sejam tomadas a partir da análise de dados ou de métricas mensuráveis e padrões que podem ser explorados a favor da organização.

Os dados podem indicar tendências mercadológicas, oportunidades de negócio, estratégias mais alinhadas às expectativas do mercado e outros insights importantes que orientam melhor as decisões.

Para a extração, análise e monitoramento desses dados, a AI (Inteligência Artificial) já tem o seu espaço definido, e vem ganhando cada vez mais importância para o auxílio no processo de tomada de decisão nas empresas.

Para obter informações sobre clientes e concorrentes, por exemplo, a AI é uma grande aliada para obter inteligência de mercado, assim como acompanhar o monitoramento de metas. Com uma análise de dados precisa, o negócio pode traçar objetivos mais realistas e acompanhar os resultados de cada segmento. E todas essas informações culminam no auxílio para tomada de decisão das lideranças.
A intuição deve ser levada em consideração?

Sigmund Freud, o pai da psicanálise, já sugeria que a explicação para muitas das ações e ideias das pessoas advém do inconsciente. Por isso, a intuição como fator-chave na tomada de decisões se baseia na combinação entre evidências ou dados e, ao mesmo tempo, no que se encontra disponível na memória de uma pessoa. Ou seja, em uma reunião de elementos do inconsciente em que se torna imensurável descrever qual foi o caminho traçado para determinada decisão.

No artigo Expertise-Based Intuition and Decision Making in Organizations (Intuição Baseada em Experiência e Tomada de Decisão nas Organizações), publicado no Journal of Management, os acadêmicos Eduardo Salas, da University of Central Florida; Deborah DiazGranados, da Virginia Commonwealth University; e Michael A. Rosen, da Johns Hopkins Medicine, citam que a intuição se divide de duas formas: a intuição experiente, que se baseia nos altos níveis de habilidade, experiência e conhecimento sobre determinado assunto e a intuição geral, que não possui estes requisitos.

Se um líder possui uma vasta experiência em um determinado assunto, é provável que ele terá melhores capacidades cognitivas em tal domínio e sua efetividade na tomada de decisão será maior.

Segundo os autores, os profissionais experts são capazes de melhores intuições, pois sua capacidade de reconhecimento de padrões os auxilia na previsão de resultados comparando rapidamente com as experiências anteriores que já vivenciaram, além de possuírem mais conexões entre conceitos disponíveis em sua cognição, devido ao vasto conhecimento que possuem. Tudo isso leva a organização do pensamento de forma mais eficiente.

Sendo assim, a intuição está entrelaçada com as experiências prévias do profissional, baseada nas suas habilidades e em seu conhecimento.

Contudo, se o líder precisa tomar uma decisão intuitiva em um contexto em que ele não é especialista, é bastante provável que diminua a utilidade de sua intuição, frisam os autores do artigo científico.
Diferentes formas de tomada de decisão

Considerando a singularidade de cada pessoa, a decisão pode ser tomada em diferentes estilos. Há aqueles que preferem ser mais analíticos, prezando pela análise lógica e um esforço consciente maior, enquanto que há aqueles que preferem seguir sua intuição. Mas, esses estilos podem estar relacionados com os fatores idade e hierarquia.

Fred Fiedler e Joseph Garcia, autores do livro New Approaches to Effective Leadership: Cognitive Resources and Organizational Performance (Novas Abordagens para Liderança Eficaz: Recursos Cognitivos e Desempenho Organizacional), ressaltam que idade e experiência também influenciam o estilo de tomada de decisão adotado pelos sujeitos dentro da área de gestão: os indivíduos mais velhos tendem a tomar decisões de acordo com os acertos e erros do passado, enquanto os indivíduos mais novos são mais inovadores em suas escolhas.

Já uma pesquisa conduzida pelos professores doutores em Ciência da Informação, Sueli Angélica do Amaral e Antonio José Figueiredo Peva de Sousa, da Universidade de Brasília, aponta que quanto maior o número de funcionários subordinados à uma pessoa, ou seja, quanto maior a posição do líder no organograma da organização, mais ele utilizava da intuição para a tomada de decisões.

O fato é que, com a digitalização massiva e tudo sendo cada vez mais acelerado (vide agora o novo acelerador de mensagens de voz do WhatsApp) cada vez mais os líderes são pressionados a tomar decisões rápidas e com muitos dados disponíveis – o que pode auxiliar ou até mesmo deixá-los confusos.

Por isso, a questão que fica é: será que a intuição pode ser uma pitada de auxílio nesse processo cada vez mais conturbado?

Fonte: Consumidor Moderno | Postado em: 07/06/2021