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Padre-nosso ao vigário

Uns dos maiores consumidores de massa do mundo, há um mês os chineses começaram a se deparar nos supermercados com um macarrão cuja embalagem exibe um vistoso “made in Brasil” (com S mesmo). Vistoso e intrigante. Que brasileiro se daria ao trabalho de vender macarrão do tipo noodle num mercado em que a oferta desse produto já é abundante (7,2 milhões de toneladas consumidas em 2016, segundo a Euromonitor)? Que brasileiro, aliás, diria que é autoridade no assunto justamente na terra que inventou o macarrão (foi em Lajia, na China, que foram encontrados os fios cilíndricos de massa mais antigos do mundo, de 4 mil anos)?

Helio Chiang, de 41 anos, é o corajoso em questão. À frente da Bifum, companhia fundada por seus avós taiwaneses em Suzano, São Paulo, em 1963, ele está convencido de que seu produto tem chances na China. Vinte e cinco mil pacotes começaram a ser vendidos recentemente (depois de uma viagem de 50 dias de navio e quatro meses de espera na alfândega chinesa), em cem pontos de venda de Guangzhou, uma das maiores cidades chinesas, com 13 milhões de habitantes.

Diferentemente da massa tradicional de trigo, o macarrão da Bifum é feito de arroz. Não que esse tipo de massa seja inédito lá. O macarrão de arroz, chamado de “bifun” em Taiwan, já é usado em pratos quentes no Oriente há mais de um século. Mas Chiang acredita ter diferenciais “naturais” para competir.

Na sua empresa, o processo de fabricação envolve secagem de 12 horas e, depois disso, os fios descansam por mais 12 horas – realidade bem distante dos processos industriais ultrarrápidos, inclusive na China, que lançam mão de conservantes.

Esta é a primeira vez que a Bifum exporta seu produto. A internacionalização resulta de um processo de profissionalização da empresa que ocorre desde 2013. Chiang, agora, quer iniciar uma fase de novos mercados. O próximo passo, depois de vender padre-nosso ao vigário chinês, é prospectar a terra do churrasco, a Argentina.