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Low carb e gluten free: como trabalhar com o paciente em meio à ciência e a moda?

A busca por dietas milagrosas para perda de peso com restrição do carboidrato ainda é uma realidade. Apesar de equivocado, muito se ouve falar sobre o glúten como um vilão, exaltando sua retirada da alimentação. Mas, diferentemente do movimento gluten free, propagado de maneira irresponsável por alguns influenciadores de opinião, a alimentação isenta da proteína além de causar fadiga, falta de concentração, desequilíbrio intestinal, entre outros sintomas, não deve estar atrelada ao controle de peso ou ser vista como prática saudável para este fim.

De acordo com um estudo realizado pela Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), sete em cada dez brasileiros já tentaram eliminar alguns quilos sem acompanhamento médico. Para Cynthia Antonaccio, consultora em nutrição da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI),  a mídia tem muitas vezes uma quantidade vasta de informações que são colocadas como verdade absoluta e as pessoas tendem a segui-las sem o devido cuidado, pesquisa e acompanhamento.

“É nessa hora que nós, profissionais da saúde, devemos orientar tanto o paciente no consultório, quanto utilizar canais como as redes sociais, por exemplo, a fim de conscientizar sobre os perigos das dietas restritivas feitas por conta própria, que podem gerar malefícios irreparáveis para o organismo”, explicou a nutricionista durante palestra no Ganepão 2019, um dos maiores congressos de nutrição da América Latina.

De acordo Cynthia, a restrição de carboidrato sem a necessidade, por exemplo, além de poder provocar compulsão alimentar e causar o efeito sanfona, aumenta a chance de que o paciente que nunca apresentou nenhum sintoma com o nutriente, passe a ser intolerante. “O consumo de carboidrato para ser equilibrado deve estar presente entre 50% e 55% em cada refeição, além de todos os grupos alimentares [proteínas e gorduras]”, destaca.

A nutricionista alerta que tudo que traz uma ideologia nova pode gerar fanatismo por parte do paciente. É claro que é permitido buscar novos sabores, tendências e experiências, mas tomar atitudes extremas de restrição irá prejudicar a manutenção da saúde como um todo. “Na dúvida o equilíbrio sempre será a resposta certa. Os profissionais devem ser conscientes para ditar condutas, com variedade de alimentos, podendo seguir uma tendência, mas com cautela”, destaca a especialista.