Empresas médias de biscoito crescem acima do mercado

O setor de biscoitos, massas, pães e bolos deve consolidar seus números de 2025 com crescimento de 5% no faturamento, para R$ 72 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães Industrializados (Abimapi). Em volume, a expansão tende a ser menor, de 1%, o que representa um total de 4 milhões de toneladas. Com aposta em regionalização, diversificação de portfólio e produtos de maior valor agregado, médias companhias estão crescendo acima do mercado.

“Em termos de grandes e médias empresas, estimamos que o mercado esteja dividido meio a meio, tendo as últimas uma atuação mais regionalizada, apoiada pelos consumidores que valorizam a importância da tradição local, regionalidade”, diz Claudio Zanão, presidente executivo da Abimapi, que representa 110 indústrias que detém 80% do mercado e geram mais de 260 mil empregos.

Na maior parte dessas companhias, o biscoito figura como carro-chefe e item de maior valor agregado. Em 2025, a categoria de biscoitos deve crescer 2% no país, com faturamento de R$ 34 bilhões. Bolos devem registrar a maior alta, de 14%; seguidos de pães (8%) e massas (4%).

Com faturamento anual em torno de R$ 250 milhões, a catarinense Casaredo é uma das fabricantes de médio porte que avançam no mercado de biscoitos. “Estamos crescendo um pouco acima do segmento como um todo, que está, de forma geral, atravessando uma estagnação ou até pequena redução, em alguns casos”, afirma o CEO da companhia, Fausto Escher.

“A categoria de biscoitos teve um crescimento por volta de 2%, enquanto nós, na subcategoria de wafer, crescemos 12%; na de recheados, 8%; e na de roscas, 4%”, observa, citando dados da Scanntech, empresa que acompanha vendas no varejo a partir da leitura de códigos de barras.

A Casaredo é uma empresa familiar criada em 1988 inicialmente como uma moagem de trigo e milho. Em 1992, diversificou a produção. Hoje, os biscoitos representam cerca de 60% do total fabricado. Massas alimentícias respondem por outros 25% e a moagem de trigo e milho, pelo restante.

Sua maior presença é no Sul do país, confirmando o regionalismo das médias companhias do setor. “Temos distribuidores no Sudeste, Centro-Oeste e Norte, mas nossa estratégia é aqui, trabalhando diretamente com os PDVs [pontos de venda]”, diz Escher. Segundo ele, o desempenho das vendas assegura espaço nas gôndolas, mesmo quando a disputa envolve grandes fabricantes. “Os supermercadistas escolhem as marcas que entregam mais resultados e, em nossa região, performamos bem, somos alavancadores de vendas. Na linha de roscas, por exemplo, somos líderes.”

O foco de investimentos da Casaredo para 2026 está na automação de processos, até pela dificuldade para contratar mão de obra qualificada, diz o CEO. “Estamos com um projeto para ser avaliado agora no começo do ano pela Finep [Financiadora de Estudos e Projetos] de um investimento de R$ 20 milhões.”

Outra média empresa do setor é a Biscoitos Bela Vista, fundada no tradicional bairro paulistano de mesmo nome em 1915, como uma confeitaria, e adquirida na década de 1930 pelo imigrante português Joaquim Maria de Almeida. “Atuamos somente no setor de biscoitos e nacionalmente, embora nosso desempenho seja historicamente mais forte nas regiões próximas de onde a empresa nasceu, especialmente no Sul e Sudeste, onde nossa proposta de valor é mais consolidada”, diz Jorge Conti, CEO da companhia, que fatura cerca de R$ 170 milhões.

Sua marca mais conhecida é a Tuc’s, de biscoitos salgados. A produção inclui ainda as linhas Fazendinha e Bela Vista. “Temos um portfólio mais focado, não atuamos em todos os segmentos da categoria, e temos menos marcas em operação. Isso faz com que nossa competitividade seja baseada em valor e diferenciação, em produtos que mantiveram espaço e participação relevantes ao longo do tempo. Ocupamos a décima quinta posição no mercado nacional e, até o tarifaço, éramos a quinta maior exportadora de biscoitos do Brasil”, diz, referindo-se à alta das tarifas de importação dos Estados Unidos no ano passado. A Bela Vista produz cerca de 100 toneladas de biscoitos ao dia.

Para 2026, a intenção é seguir na extensão da marca Tuc’s, biscoito tipo snack para ser consumido ao longo do dia. “No ano passado lançamos a variante Salgadinhos Crocantes Tuc’s, que está em pleno desenvolvimento comercial e estamos entusiasmados com o resultado”, afirma o CEO.

O setor é conhecido por biscoitos tradicionais replicados por praticamente toda a indústria, como os de maisena, cream cracker ou água e sal. “Existem, sim, receitas que não são totalmente secretas, mas existem produtos na indústria que realmente são difíceis de reproduzir. Acreditamos que o Tuc’s seja um caso em seus mais de 50 anos de existência”, observa Conti.

Segundo Zanão, da Abimapi, a diferença entre as marcas está apoiada em inovação, qualidade e foco na “indulgência” do consumidor. “Os segmentos como o de biscoitos cobertos de chocolate e cookies são os grandes responsáveis por impulsionar a categoria, pois satisfazem a crescente demanda do consumidor por uma experiência mais prazerosa. A inclusão de mais recheios e versões gourmet mostram que a inovação pode fazer a diferença”, diz.

No mundo, o consumo de biscoitos movimenta US$ 113 bilhões, segundo a Fortune Business Insight. Países da região da Ásia Pacífico, que incluem China e Índia, lideram o mercado, com US$ 35 bilhões em 2024. Nos Estados Unidos, o faturamento da categoria soma US$ 24 bilhões.

Em outro segmento, o de pães industrializados, a Zinho, com sede em Ribeirão Preto (SP), está expandindo a produção, após um período de crescimento acima do mercado: em 2024, a alta das vendas foi de 24% sobre o ano anterior, e em 2023, de 22%. “Em 2025, tivemos um aumento tímido de 2%, abaixo dos 8% da nossa categoria, o que nos levou a agilizar o processo de expansão de nossa fábrica, dos atuais 10 mil m2 para 30 mil m2 em 2026”, diz Fabrisio Gomes, gerente nacional de vendas da empresa, que fabrica 45 milhões de bandejas de pães recheados ao ano e tem como principal mercado os Estados de São Paulo (50% do volume) e Santa Catarina (12,5%).

Seu principal produto, em volume e relevância, é o pão de alho em formato baguete. “O crescimento dos pães industrializados está ligado a uma mudança de hábito do brasileiro, que está buscando praticidade sem abrir mão de sabor e versatilidade de um produto que fica pronto em cinco minutos e encaixa em todas as refeições.”

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/media-e-mais/noticia/2026/01/08/empresas-medias-de-biscoito-crescem-acima-do-mercado.ghtml