O mercado brasileiro de biscoitos, massas, pães e bolos industrializados registrou faturamento de R$ 36 bilhões nos primeiros seis meses de 2026. O montante representa uma alta de 2,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme aponta o balanço da Cesta Abimapi, monitorada pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães Industrializados (Abimapi) em parceria com a NielsenIQ.
Apesar do avanço no faturamento, o volume comercializado apresentou queda de 2,1%, refletindo um cenário de maior seletividade por parte dos consumidores.
Para Claudio Zanão, presidente-executivo da Abimapi, o resultado demonstra a resiliência do setor frente ao cenário macroeconômico. “A rápida capacidade de adaptação dos fabricantes, que apostam em lançamentos inovadores e na diversificação de portfólio para atender tanto quem busca economia quanto quem não abre mão de pequenos prazeres diários, foi o grande motor do nosso mercado”, avalia.
O “efeito ampulheta” e o comportamento de compra
De acordo com Claudio Czarnobai, Strategic Business Growth Managing Director da NielsenIQ, a busca por economia deixou de ser uma reação temporária e se consolidou como estratégia permanente.
O movimento é ilustrado pelo chamado “efeito ampulheta”: o consumidor racionaliza as compras básicas do dia a dia, mas se mantém disposto a investir em itens indulgentes de maior valor agregado (trade-up), desde que perceba benefícios claros. “O preço explica a escolha de uma marca ou canal, mas é o valor que dita a preferência”, resume Czarnobai.
Desempenho por Categoria
Biscoitos: Líder em faturamento, a categoria movimentou R$ 18 bilhões (alta de 3,7%), com volume de 747 mil toneladas (-2,3%). Biscoitos cobertos, cookies e recheados doces já respondem por 10,3% da receita do setor. Os consumidores também têm utilizado os biscoitos como alternativa mais econômica a doces mais caros, como barras de chocolate.
Pães Industrializados: O faturamento chegou a R$ 8,4 bilhões (crescimento de 1,1%) e 385 mil toneladas (-3,9%). O avanço foi sustentado pelo fortalecimento de marcas menores no pão de forma comum e pelo crescimento dos pães de hambúrguer e hot dog, impulsionados pela migração de refeições rápidas para dentro de casa (+15,6% nas ocasiões de compra por lar para o pão de hambúrguer).
Massas Alimentícias: A categoria faturou R$ 7,6 bilhões (-0,8%), com volume de 642 mil toneladas (-1,5%). O destaque positivo ficou com as massas refrigeradas, que cresceram 6,4% em valor, além dos segmentos grano duro e caseiro, alinhados à tendência de saudabilidade.
Bolos Industrializados: Registraram faturamento de R$ 1,4 bilhão (-0,8%) e 30 mil toneladas (-7,4%). Nas monoporções, houve crescimento na preferência por embalagens maiores, com destaque para as versões de 40g (+4,2%) e 70g (+0,4%).
Misturas para Bolo: A maior surpresa proporcional do período. O segmento faturou R$ 613 milhões, alta de 14,7%, movimentando 69 mil toneladas. A alta foi puxada principalmente pela própria mistura para bolo, que representa 80,7% da categoria e registrou salto de 22,3% nas vendas em valor.