Nota de Posicionamento

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Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI)

A Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI), entidade que representa mais de 110 empresas responsáveis por cerca de 80% do mercado nacional do setor, vem, por meio desta, apresentar à Vossa Excelência considerações estratégicas sobre a relevância e os desafios de sua cadeia produtiva para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

A indústria de biscoitos, massas alimentícias, pães e bolos industrializados constitui um dos pilares da indústria de alimentos no país, com presença em 99,7% dos domicílios brasileiros, o que demonstra seu papel essencial no acesso à alimentação e no consumo cotidiano das famílias. Em 2025, a cesta de produtos do setor atingiu um valor de mercado de R$ 70,46 bilhões, com volume aproximado de 3,84 milhões de toneladas, evidenciando sua capilaridade, escala produtiva e relevância no abastecimento alimentar nacional.

Do ponto de vista econômico, o setor apresenta características estruturais que o tornam estratégico:

  • Mais de 260 mil empregos diretos e quase 1 milhão de empregos indiretos, da produção agrícola à indústria e à distribuição;
  • Mais de 21 mil indústrias espalhadas pelos 27 estados da Federação;
  • Diversidade de categorias, com destaque para biscoitos (R$ 34,1 bilhões), pães industrializados (R$ 16,5 bilhões), massas alimentícias (R$ 15,5 bilhões) e bolos e misturas (R$ 4,4 bilhões);
  • Alta frequência de consumo, com crescimento de 10% na frequência de compra, refletindo a centralidade desses produtos na dieta do brasileiro.

Adicionalmente, o setor tem demonstrado capacidade de adaptação a novas demandas de consumo, com avanços relevantes em segmentos como produtos sem glúten, conveniência alimentar e porções individuais, bem como investimentos contínuos em inovação, qualidade e segurança dos alimentos.

Apesar de sua robustez, a indústria enfrenta desafios estruturais que demandam atenção do poder público, entre os quais se destacam:

  • A elevada carga tributária e a complexidade do sistema fiscal;
  • A volatilidade de insumos estratégicos, especialmente o trigo;
  • A necessidade de modernização regulatória, alinhada às transformações tecnológicas e logísticas do setor;
  • Gargalos de infraestrutura e custos logísticos, que afetam a competitividade;
  • Ambiente de comércio internacional desfavorável.

No campo regulatório, a ABIMAPI manifesta especial preocupação com a crescente consolidação de políticas públicas baseadas no conceito de “ultraprocessado”. Embora reconheça a importância da promoção da alimentação saudável, a entidade ressalta que a adoção desse conceito como critério orientador de políticas públicas tem gerado distorções relevantes no ambiente regulatório e concorrencial. Isso porque a classificação por grau de processamento, além de ampla e heterogênea, não distingue adequadamente produtos com diferentes perfis nutricionais, resultando na aplicação de tratamentos uniformes a categorias diversas.

Adicionalmente, a utilização do conceito de “ultraprocessado” como fundamento para iniciativas em áreas como rotulagem, tributação, restrições à publicidade e compras públicas tem produzido um efeito cumulativo de restrição indireta ao mercado, com impactos que extrapolam a indústria e alcançam toda a cadeia produtiva. Esse movimento também contribui para a estigmatização de produtos amplamente consumidos pela população, afetando a percepção do consumidor de forma desproporcional e, muitas vezes, dissociada de critérios técnicos individualizados.

A ABIMAPI destaca, ainda, o risco de desalinhamento do Brasil em relação a práticas regulatórias internacionais, o que pode gerar insegurança jurídica, prejudicar a competitividade da indústria nacional e criar barreiras indiretas ao comércio.

No âmbito do comércio internacional, a aplicação recente de tarifas reduz a competitividade das exportações brasileiras e afeta investimentos, empregos e a geração de divisas. Por isso, é fundamental que o Brasil fortaleça sua atuação diplomática e comercial, amplie acordos internacionais, reduza entraves burocráticos e atue de forma coordenada na defesa dos interesses do setor produtivo, garantindo condições equitativas de acesso aos mercados globais e promovendo um ambiente favorável à expansão das exportações brasileiras.

Diante desse contexto, a ABIMAPI entende ser fundamental que o próximo governo federal priorize uma agenda voltada à competitividade da indústria de alimentos, à segurança jurídica, à simplificação tributária e ao fortalecimento das cadeias produtivas nacionais.

O setor de biscoitos, massas, pães e bolos industrializados não apenas movimenta dezenas de bilhões de reais anualmente, mas também desempenha papel central na alimentação da população, na geração de empregos e na dinâmica econômica do país. Trata-se, portanto, de uma cadeia de extrema importância para a indústria brasileira, cuja sustentabilidade e crescimento devem ser tratados como prioridade estratégica nacional.

A ABIMAPI coloca-se à disposição para contribuir com o debate público e com a construção de políticas que promovam o desenvolvimento sustentável do setor e do Brasil.

Claudio Zanão
PRESIDENTE-EXECUTIVO

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